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Crônica. Alô, alô, alguém na linha?

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08.02.2026

Tarde de sábado, vento forte e céu nublado anunciavam tempestade em breve. Uma mensagem da Proteção Civil orientava: “risco de cheias e inundações, evite deslocamentos desnecessários”. Da janela da cozinha, reparei em um rapaz em pé na entrada do prédio. Esboçava sorrisos numa videochamada, alheio ao tempo e aos primeiros chuviscos.

Pensei ser daqueles que não se consideram de açúcar, não se desmancham com facilidade, adotando o discurso do imbatível. Sob o olhar de estranhos, parecia feliz com as palavras trocadas e gestos do outro lado da tela. Imaginei que, apesar do frio, o coração devia estar acelerado por uma felicidade recíproca, das que sustentam o dia com uma dose de “tudo é possível”, após dialogarmos com um certo alguém. Seria da família? Amiga? Namorada?

Supus que ele era imigrante, pois onde resido existe um apartamento que costuma abrigar trabalhadores de diferentes........

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