Num mundo em fragmentação, o que distingue as democracias?
As ameaças recentes de Donald Trump de “destruir a civilização iraniana” não são apenas mais um episódio de retórica inflamada do presidente dos Estados Unidos. São um sinal. E, como todos os sinais relevantes, dizem-nos menos sobre o imediato e mais sobre a transformação estrutural em curso.
Durante décadas, as democracias liberais construíram a sua legitimidade externa em torno de três pilares: a previsibilidade, o respeito por normas internacionais e a contenção no uso da força. Mesmo quando falhavam, havia uma arquitetura discursiva e institucional que procurava enquadrar a ação dentro de limites reconhecíveis. O que estas declarações revelam é uma erosão desse quadro.
Não estamos apenas perante uma divergência de política externa. Estamos perante uma alteração do próprio referencial........
