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Camilo Pessanha: O Sentido Violento da forma

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02.03.2026

Passam 100 anos sobre a morte de Camilo Pessanha (1867-1926), em Macau, e 100 anos depois é tempo de lembrar este que foi um dos mestres da modernidade poética portuguesa. Nas palavras de Bárbara Spaggiari, um dos maiores (talvez o maior) poetas simbolistas europeus.

A questão central em Pessanha não passa pela biografia e o que sobre ela são alguns lugares-comuns, que mais atrapalham do que esclarecem o poder da sua arte. Se foi opiómano, isso é secundário. A poesia de Clepsydra (ed. Lusitânia, 1920), único livro que publicou em vida, em 1920, devido à vontade de Ana de Castro Osório, sua editora e amiga, isso é o que importa. O modo como a sua existência está nos seus poemas e são eles o imo de uma bio-grafia, isto é, de uma vida posta e exposta na escrita.

Trata-se de uma poesia que nasce da vontade de fixar o impermanente do real ("Imagens que passais pela retina / porque não vos ficais?"), ao mesmo tempo que, para fixar as imagens fugidias desse real, Pessanha aposta na exploração do símbolo e da imagem, como, na senda de Mallarmé, postulava a estética simbolista: "O símbolo deve sugerir e evocar", escreve o poeta francês. Assim, o poema deveria dar não uma imagem realista ou mimética do objecto visionado, mas a fusão do real visto como um irreal intuído.

Ver além do imediato seria escrever o poema num permanente trânsito entre real e transcendência. Atingir a essencialidade por meio da intersecção de planos (o interior e o exterior, o abstracto e o concreto, o físico e o metafísico, o passado........

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