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Ler os Clássicos para governar o presente

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22.07.2026

Há uma inquietação que atravessa o nosso tempo e que dificilmente pode ser ignorada. Independentemente da posição ideológica de cada um, cresce entre os cidadãos a percepção de que a política deixou de ser, para demasiados dos seus protagonistas, um exercício de serviço público para se transformar, não raras vezes, numa disputa pelo poder, pela influência ou pela sobrevivência partidária.

Esta percepção pode revelar-se justa ou injusta em muitos casos concretos, cabendo aos tribunais e às instituições apurar responsabilidades quando elas existem. Mas a percepção, por si só, já constitui um problema político. Porque a confiança é a matéria-prima da democracia, e nenhuma democracia floresce quando os cidadãos deixam de acreditar na integridade daqueles que os governam.

Talvez por isso valha a pena regressar aos autores que pensaram a política antes de ela se tornar profissão, carreira ou espectáculo. Ler Platão e Aristóteles não é um exercício de arqueologia intelectual; é um acto de cidadania. Em A República, Platão não descreve apenas uma cidade ideal. Questiona, sobretudo, que tipo de homem deve governar. O poder não deveria ser entregue ao mais ambicioso, ao mais popular ou ao mais eloquente, mas àquele que tivesse aprendido a dominar-se a si próprio. A Justiça da cidade........

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