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Pu-erh, o Barca Velha dos chás

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20.03.2026

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Pu-erh, o Barca Velha dos chás

O lendário chá chinês Pu-erh assume-se, no universo dos chás, como o que de mais nobre se pode encontrar no mundo dos vinhos. Ou, em bom português, um Barca Velha nos seus anos de graça. A beleza de um bom tinto está no que o tempo e, consequentemente, a fermentação lhe atribuiu: novo, é vida e energia engarrafada, uma explosão de frutas, especiarias e notas de madeira que fazem adivinhar o que virá a ser. Com anos de garrafa, acalma-se. Os taninos viram seda, aparecem as notas profundas de tabaco, couro, trufa e chocolate. O seu final demora-se na boca, como aquela despedida que teimamos adiar. O chá Pu-erh percorre o mesmo caminho nobre. É o único chá chinês pós-fermentado, nascido nas montanhas de Yunnan. As folhas velhas de árvores centenárias entregam-se ao tempo numa fermentação natural que vai revelando camadas escondidas. A sua forma clássica de comercialização é em bolo prensado: discos redondos de 357 gramas, embrulhados em papel com selos de caracteres chineses. A compressão cria o microclima perfeito para que oxigénio penetre lentamente e o processo de fermentação seja sereno, contribuindo para que o seu sabor evolua de forma equilibrada. Como um ritual, parte-se um canto do disco com uma pequena faca e degusta-se, sendo que o mesmo bolo pode render dez a vinte infusões, cada uma diferente da anterior. O chá jovem, sheng Pu-erh (cru), apresenta-se agressivo, amargo, com notas de erva frescas e flores; os anos tranquilizam-no, trazendo-lhe uma doçura tardia e com ela as notas de madeira, cogumelo seco, couro, terra molhada… bendita maturidade! A cor também se revela: o âmbar ganha profundidade até se tornar um vermelho fechado, como um tinto com muitos anos de garrafa. O sheng Pu-erh (cru) é um chá de coleção. Bolos de fábricas lendárias e de safras antigas tornam-se tesouros: o preço sobe, o sabor ganha complexidade, a memória e a experiência cresce dentro deles. À semelhança do vinho, colecionadores guardam-nos em caves com a humidade certa, a temperatura amena, e provam-nos com familiares e amigos, em momentos especiais, comparando evoluções como quem compara colheitas. O chá shu Pu-erh (cozido), de fermentação acelerada, é o equivalente ao nosso tinto corrente: redondo, terroso qb, achocolatado, reconfortante e sempre pronto a beber. Em Macau, o Pu-erh recebe o mesmo respeito que um bom tinto recebe em terras lusitanas. Guarda-se, estima-se, partilha-se, celebra-se anos depois. E, mesmo depois de degustado, nunca se acaba de conhecer.

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