Folares de páscoas
Compre a versão digital
CIM Região de Coimbra Arganil Cantanhede Condeixa-a-Nova Góis Lousã Mealhada Mira Miranda do Corvo Montemor-o-Velho Mortágua Oliveira do Hospital Pampilhosa da Serra Penacova Penela Soure Tábua Vila Nova de Poiares
Região Centro Aveiro Cast. Branco Guarda Leiria Viseu
CIM Região de Coimbra Arganil Cantanhede Condeixa-a-Nova Góis Lousã Mealhada Mira Miranda do Corvo Montemor-o-Velho Mortágua Oliveira do Hospital Pampilhosa da Serra Penacova Penela Soure Tábua Vila Nova de Poiares
Região Centro Aveiro Cast. Branco Guarda Leiria Viseu
Os folares de Páscoa são um dos elementos identitários mais relevantes da cultura gastronómica portuguesa. Com ou sem ovos, feitos em casa ou comprados nas mais gulosas versões, a tradição de assinalar um dos dias mais importantes do calendário cristão com bolos não é exclusiva de Portugal e encontra as suas raízes vários séculos antes do surgimento do Cristianismo.
A oferta votiva de pães enriquecidos com gorduras, ovos, lacticínios e edulcorantes remonta, pelo menos, ao período clássico. São conhecidas várias referências na região do Mar Mediterrâneo a bolos e pães oferecidos a divindades várias em diversas ocasiões, como os pelanoi, bolos de mel oferecidos ao deus Apolo, ou o libum, bolo feito com queijo usado em diversos atos rituais e religiosos romanos.
Em Portugal, é a partir do século XVI que temos referências explícitas à prática de fazer e oferecer massas enriquecidas nas festas religiosas. Uma das mais recuadas é o depoimento de Ana Fernandes, cristã-nova, à Inquisição em 1542. Acusada de práticas judaizantes, a ré tenta provar a sua conversão ao cristianismo enumerando uma série de comportamentos e hábitos que tinha e que dizia serem comuns em “casa de cristãos-velhos”, como fazerem “pão de calo e molete e rosquilhas e bolos e folares” no Natal e Páscoa para repartir com os clérigos da paróquia. Bolos onde dizia gastar copiosa quantidade de manteiga e ovos, deixando claro que se tratavam de massas enriquecidas propositadamente para celebrar épocas festivas, ficando, no entanto, por esclarecer que tipo de bolos seriam usados em cada uma das épocas.
A primeira referência visual que temos a um bolo decorado com ovos para celebrar a Páscoa é na pintura que Josefa d’Óbidos que faz com seu pai, “Mês de Abril”, em 1668. Em 1710, uma obra dedicada à prática religiosa judaica confirma que estes bolos com ovos eram folares, pois no texto se dá o alerta para os praticantes do judaísmo não deverem “pôr ovos inteiros dentro dos massot [pães festivos da Páscoa judaica], que soem chamar folares”.
No âmbito cristão, em contextos conventuais e monacais, o número de ovos a usar na produção destes bolos deveriam mudar conforme a hierarquia da pessoa que iria receber a iguaria. Em um documento eventualmente associado ao Mosteiro de Semide é referido que o folar da Prioresa deveria ser feito com três arráteis de massa (c. de 1380g) e 12 ovos, enquanto os das religiosas deveriam ter apenas um arrátel de massa (c. de 460g) e quatro ovos.
O reportório culinário português deste período não esclarece que tipo de bolo era este pois não há receitas que se refiram a “folares” nas coletâneas conhecidas até ao final do século XIX.28
Apenas no início do século XX ficaríamos a conhecer uma receita de bolos fintos enriquecidos com com ovos, leite, manteiga, banha, açúcar, canela e erva doce, que “quando levam ovos chamam-lhes folares”, confirmando-se a longa linha de transmissão multisecular desta tradição e deste património alimentar em Portugal desde o período clássico até aos dias de hoje.
Deixe o seu Comentário Cancelar resposta
O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).
Δdocument.getElementById( "ak_js_1" ).setAttribute( "value", ( new Date() ).getTime() );
Memórias de Ormuz (parte 3) Irão-2012
Desporto, Turismo e Territórios
Futebol: Favoritismo caseiro do Amarante não retira ambição à Briosa
Memórias de Ormuz (parte 3) Irão-2012
Desporto, Turismo e Territórios
Copyright © 2025 Diário As Beiras. All Rights Reserved
Política de privacidade
