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“Violência no Namoro: um problema...”

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03.03.2026

Há pouco mais de um ano, tive a oportunidade de escrever a minha primeira crónica neste espaço. Escolhi como tema a Violência no Namoro relacionada com as novas formas de agressão, uma vez que, à época, haviam sido recentemente divulgados os dados relativos ao ano de 2024 no que a esta temática concerne. Escrevi com a esperança de que, no ano seguinte, os dados fossem mais animadores, menos preocupantes, em particular porque já existia sensibilização para as novas formas de agressão por via digital e porque existiam já medidas de mitigação da utilização de telemóveis pelos mais jovens - que vieram a ganhar destaque ao longo do último ano, abrangendo também as redes sociais. Volvido um ano, e confrontados que fomos com o Estudo Nacional sobre Violência no Namoro, realizado no âmbito do Projeto “ART’THEMIS+ UMAR Jovens Protagonistas na Prevenção e na Igualdade de Género”, financiado pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), bem como com os números relativos ao número de denúncias no ano de 2025 divulgados pela PSP, fica claro que este é um tema que reclama maior preocupação e atenção. O Estudo Nacional sobre Violência no Namoro demonstra que 68,2% dos jovens em Portugal consideram que, pelo menos, 1 dos 15 comportamentos mencionados no inquérito não é violência no namoro, sendo que 66,7% reportaram já terem experienciado pelo menos um dos indicadores de vitimação, sendo o controlo o comportamento mais legitimado entre os inquiridos (53,4%!) e o mais reportado (46,9%!). Outros dados preocupantes são os relacionados com o facto de a perseguição (presencial e digital) ser legitimada por 40,9% dos inquiridos, a violência psicológica por 27,6% e a violência através das redes sociais por 18,1%. O estudo revela que o controlo e a violência psicológica são as duas formas de violência em que se observa uma maior diferença na legitimação entre o género masculino e o género feminino. Recorde-se que a média de idades dos inquiridos se fixa nos 15 anos. A par destes dados, a PSP revelou que, no ano de 2025, foram mais de 1600 as queixas relacionadas com violência no namoro, o que representa um aumento de 15% relativamente ao ano de 2024. O Estudo é claro quando demonstra que comportamentos como controlo, dos telemóveis e/ou das redes sociais sem autorização do(a) parceiro(a), o controlo das saídas e com quem se fala, proibir roupa, estão relacionados com a ideia de “amor romântico, de posse”, motivo pelo qual são comportamentos tão legitimados. Chamar nomes durante discussões, humilhar nas redes sociais, partilhar conteúdos íntimos aquando do término das relações e existir pressão para beijar ou ter relações sexuais são vistos como legítimos por parte dos nossos jovens. Estes dados demonstram a urgência no que toca à forma de educar os nossos jovens, em particular a forma de educar dos jovens de género masculino - sem prejuízo de também pessoas do género feminino legitimarem várias formas de violência, em particular as relacionadas com controlo, e de também estas exercerem certas formas de violência. Este tema assume maior impacto e relevância, num momento em que assistimos a vários pontos do mundo onde os direitos das mulheres têm sido diminuídos – veja-se o caso do Irão, onde as mulheres têm sido vítimas de todos os tipos de opressão e violência, inclusivamente em praça pública. Vejam-se os países onde a violência doméstica não só é aceite, como é ensinada. Não podemos permitir que os números de violência no namoro – e, também, os de violência doméstica – aumentem a olhos vistos; que se legitimem comportamentos de agressão (psicológica, verbal e física); que o controlo e a perseguição sejam vistos como atos típicos de quem ama. Tenhamos todos a capacidade de contribuir para a educação dos nossos jovens, no sentido de que amar é respeitar a individualidade e a liberdade do outro.

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