“Braga cresce com consistência,...”
Os dados económicos de 2025 confirmam que Braga continua a afirmar-se como um dos principais polos económicos nacionais. No último ano, o concelho registou um volume total de transações nos setores do comércio, turismo e serviços de 2.299 milhões de euros, correspondendo a um crescimento de 3,1% face a 2024. Este aumento resulta, sobretudo, do crescimento significativo das compras realizadas por via eletrónica, que aumentaram 6,2%, enquanto os levantamentos em numerário diminuíram 4,7%. Esta evolução não é apenas conjuntural. Reflete uma tendência estrutural de modernização dos comportamentos de consumo, com menor dependência do dinheiro físico, maior utilização de meios digitais e uma crescente formalização da economia. No contexto nacional, Braga mantém-se como o 7.º maior mercado de consumo do país, exatamente a mesma posição que ocupava em 2024. Este dado confirma a elevada massa crítica económica do concelho e a sua forte capacidade de atração de consumo. Mas revela também uma realidade que merece reflexão: Braga cresce, mas não está, ainda, a ganhar posição relativa face aos principais centros urbanos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Num cenário de crescente competição entre territórios, este é um desafio estratégico central. A análise setorial mostra, aliás, que a economia de Braga está a atravessar transformações estruturais relevantes. O setor da saúde registou o crescimento mais elevado, com um aumento de 31,1%, refletindo uma maior procura de serviços, o crescimento da oferta privada e uma crescente valorização do bem-estar. O alojamento cresceu 20,4%, impulsionado sobretudo pelos visitantes estrangeiros, cujo consumo aumentou mais de 30%, confirmando o reforço da posição de Braga como destino turístico. Também a restauração apresentou um crescimento expressivo, de 7,4%, associado ao aumento do número de visitantes, mas também à subida generalizada dos preços no setor, que não se traduz necessariamente num aumento da rentabilidade dos operadores, refletindo sim, em grande medida, o agravamento do custo das matérias-primas, da energia e dos restantes custos operacionais. Em sentido inverso, o setor da moda registou uma contração de 2,7%. Este dado é particularmente relevante, uma vez que este setor constitui um dos principais indicadores da vitalidade do comércio urbano tradicional. Esta evolução reflete desafios estruturais que não são exclusivos de Braga, como o crescimento do comércio online, a concorrência das grandes superfícies e a alteração dos hábitos de consumo. No caso específico de Braga, acresce ainda o impacto do encerramento de algumas lojas âncora de insígnias globais, que contribuem para diminuir a atratividade e a perceção de qualidade da oferta comercial existente. O turismo continua a afirmar-se como um dos principais motores da economia local. Em 2025, Braga registou 692 mil dormidas, um aumento de 2,0%, atingindo o valor mais elevado de sempre. Em paralelo, os dados de geolocalização e mobilidade disponibilizados por um dos principais operadores de comunicações móveis revelam um crescimento particularmente expressivo do número de visitantes internacionais, superior a 160%. Este é um indicador muito significativo, que confirma o reforço da notoriedade internacional da cidade. No entanto, Braga mantém-se apenas na 20.ª posição nacional em número de dormidas, exatamente a mesma posição do ano anterior. Isto significa que, apesar de crescer, ainda não está a convergir com os principais destinos turísticos nacionais. Também no plano das exportações de bens, os dados revelam uma realidade complexa, mas globalmente positiva. O valor total exportado diminuiu 2,6%, mas Braga subiu do 6.º para o 5.º lugar no ranking nacional. Este é um dado particularmente relevante. Significa que, apesar do contexto internacional adverso, Braga está a demonstrar uma maior capacidade de resistência do que muitos outros municípios exportadores. Ao mesmo tempo, o crescimento das exportações para fora da União Europeia, que aumentaram 12%, revela uma maior diversificação geográfica e uma menor dependência dos mercados europeus. No seu conjunto, os dados de 2025 mostram uma economia resiliente, com crescimento moderado, forte dinamismo turístico e uma base produtiva que continua a afirmar-se no contexto nacional. Braga mantém-se entre os dez maiores mercados de consumo do país e entre os cinco maiores municípios exportadores. Este posicionamento confirma a sua relevância estrutural no contexto económico nacional. Mas estes dados mostram também que Braga entrou numa nova fase do seu desenvolvimento. Uma fase em que o crescimento, por si só, já não é suficiente. O verdadeiro desafio passa agora por transformar esse crescimento em ganho efetivo de competitividade relativa. Por reforçar a capacidade de atrair investimento produtivo. Por consolidar a sua afirmação como destino turístico internacional. E, sobretudo, por garantir que esse crescimento se traduz numa maior vitalidade urbana, particularmente no centro histórico, que continua a enfrentar desafios estruturais. Braga tem hoje uma economia forte, diversificada e resiliente. Mas os dados mostram, com clareza, que o futuro dependerá da capacidade de transformar essa solidez numa nova ambição de liderança. Porque, no atual contexto competitivo entre territórios, não basta crescer. É preciso crescer mais depressa do que os outros.
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