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“A biblioteca: o valor do que não...”

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30.04.2026

Num tempo em que quase tudo exige pagamento, a biblioteca pública continua a ser uma exceção notável. Entra-se sem bilhete, permanece-se sem consumir, utiliza-se sem obrigação de pagar. Num mundo de cartões, subscrições e taxas, a biblioteca é um dos poucos espaços urbanos onde o cidadão não precisa de justificar a sua presença. É um território de acesso livre num cenário social cada vez mais condicionado por barreiras económicas. A simples possibilidade de ocupar um lugar, abrir um livro e permanecer sem pressa constitui uma forma discreta de resistência à lógica dominante do consumo. Esta gratuitidade, porém, começa a ser objeto de debate. Num contexto de orçamentos limitados e exigências crescentes, surge a pergunta inevitável: será sustentável manter tudo gratuito? E mais ainda: será que o que é gratuito é verdadeiramente valorizado? A pressão sobre as contas públicas, a necessidade de modernização tecnológica, a expansão de serviços digitais e a diversificação de públicos colocam desafios reais à gestão das bibliotecas. Alguns defendem que a ausência de pagamento pode gerar uma perceção de menor valor, como se o preço fosse o principal indicador de importância. Outros questionam se a gratuitidade absoluta não dificulta a criação de uma relação mais comprometida entre utilizador e instituição. Estas interrogações revelam uma tensão entre sustentabilidade financeira e missão social. A ideia de um pagamento simbólico, uma quota anual reduzida, uma taxa de........

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