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“Ser Mestre: resgate da dignidade...”

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25.02.2026

Multiplicam-se artigos, opiniões, estudos e dissertações sobre o potencial do mestre enquanto distribuidor de conhecimento e o impacto da sua ação na construção do caráter, da personalidade e de escolhas significativas. Os adultos, que anseiam para os seus filhos uma educação completa — um percurso que sirva os interesses do indivíduo e facilite um crescimento saudável — sabem, por experiência própria, a enormidade da influência que um bom mestre tem nos percursos de vida. Este reconhecimento não é novo. Atravessa os séculos. Na Antiguidade Clássica, o mestre era o "pedagogo" da alma, figura central na formação do cidadão grego. Durante o Renascimento, era o mentor que unia a técnica à humanidade. Historicamente, a figura do professor sempre foi o pilar sobre o qual se ergueram as civilizações, detentor de uma autoridade que emanava não do medo, mas do saber e da retidão. Um mestre é professor, guia, mentor, especialista e educador. Alguém que, por vocação e paixão, dedica a sua vida a desenvolver projetos de formação integral de crianças e jovens, sempre em conjunto com as famílias — condição essencial para uma ação educativa completa. Mas o mestre é, acima de tudo, alguém em quem se confia e em quem se acredita. Alguém a seguir: seguir as suas orientações, respeitar as regras e, em conjunto, criar, estruturar e projetar o futuro. O professor é esse mestre; é alguém cujas características o credibilizam e o tornam um exemplo. É esta simbiose que gera aprendizagem e mudança, contribuindo para que o processo educativo seja a fantástica transformação ansiada pela escola, pela família e pela sociedade. Contudo, este prestígio histórico, que outrora era o alicerce da profissão, parece estar a desmoronar-se. A realidade atual é bem diferente. Ser professor é, cada vez mais, uma profissão menos desejada. Já não é vista como uma missão; tornou-se um emprego pouco acarinhado e pouco respeitado. Ano após ano, docentes experientes deixam a escola. Filhos de professores não querem seguir os passos dos pais e o entusiasmo das novas gerações desvanece-se. O professor gasta agora o seu precioso tempo não a ser mestre, mas a ser regulador de comportamentos, ansiando por um objetivo inatingível: chegar a cada aluno na sua individualidade, enquanto luta contra um sistema burocrático e mudanças ministeriais constantes. A falta de uma visão estratégica impediu a partilha de sabedoria entre gerações de docentes. Não entram novos, saem os mais experientes. É urgente que associações de pais, famílias e sociedade civil unam esforços para devolver a dignidade e o respeito ancestral à profissão docente. É necessário exigir consideração e estima. Quando a sociedade voltar a honrar o professor, os alunos seguirão o exemplo. Só então estarão criadas as condições para percursos educativos construtivos, assentes na confiança e na verdadeira formação do ser humano. Devolver ao professor o seu lugar de honra não é um favor corporativo, mas sim um imperativo civilizacional. Quando a sociedade compreender que o mestre é o arquiteto do amanhã, o respeito deixa de ser uma exigência e passa a ser a base natural de toda a aprendizagem. É tempo de voltar a olhar o professor com a reverência que a história sempre lhe reservou, garantindo que a educação continua a ser: … a arma mais poderosa que podemos usar para transformar o mundo (Nelson Mandela)

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