“Acidentes e Idade”
Era uma manhã clara. Os meus tios, ambos nos seus 75 anos, voltavam a casa, felizes como poucas vezes. Tinham ido conhecer os seus netos, tri-gémeos acabados de nascer. A viagem de duas horas estava quase a terminar; o carro era excelente, topo de gama, confortável e seguro. Comentavam o milagre do nascimento e a alegria do seu filho. Em sentido contrário, um jovem estudante universitário, regressava a Lisboa depois de uns dias de férias. Ia só, animado, preparado para a fase final da sua licenciatura. Imaginava, esperançoso, o futuro. A estrada corria por uma paisagem de grande beleza, mas com troços de perigo reconhecidos há muito. Tinha sido construída uma autoestrada, melhorando o trajeto e procurando eliminar esses pontos de risco, mas dificuldades de agenda do então 1º Ministro Durão Barroso atrasaram a sua inauguração e abertura. Depois? depois foi uma curva, uma ultrapassagem, uma baixa perceção do risco envolvido: um choque frontal. Três mortos na estrada. De imediato. Três vidas que ficaram no local. A responsabilidade pelo acidente? Havia seguros elevados, houve investigação. Sem margem para dúvidas, concluíram que foi um erro na perceção do risco e uma ultrapassagem sem domínio do carro. Inexperiência e excesso de velocidade. Do jovem estudante. Corre por aí agora uma petição para que pessoas com 75 ou mais anos de idade não possam conduzir. Argumenta-se que têm “declínio cognitivo, visual e motor”; diz que é “uma realidade inevitável”. Sorte a minha, só faço 75 anos em Junho, restam-me uns 2 mesitos, com capacidade mental! Enfim, é um caso; haverá tantos outros, e de sinal contrário. È........
