“Quando o Minho se ergueu”
Quando fazemos referência à região do Minho, temos necessariamente de associar a revolta da Maria da Fonte, que aqui ocorreu na primavera de 1846, há exatamente 180 anos. A região de Lanhoso, e todo o Minho, era então profundamente rural, muito conservadora, com costumes sociais e religiosos bastante vincados. Esta revolta, de cariz popular e que atacou seriamente o regime vigente no nosso país, envolveu não só o concelho da Póvoa de Lanhoso, mas também a maioria dos concelhos minhotos, como Braga, Barcelos, Fafe, Guimarães e Vieira do Minho, originando um dos maiores motins populares a que Portugal assistiu. O hino da Maria da Fonte, que daí surgiu, foi então considerado como “a marselheza nacional, que levou alegremente nossos paes ao combate e que nos levará, ou a nossos filhos, á estacada, onde se defenda o moderno ideal dos povos livres”. (1) Importa referir que, na época, os ideais liberais vigoravam em Portugal desde 1820, embora, nos anos seguintes, se tornasse bem visível uma clara divisão entre os “Cartistas”, adeptos da Carta Constitucional de 1826 (com ideais liberais mais à direita), e os “Setembristas”, que apoiavam a Constituição de 1838 (liberais mais à esquerda). No meio desta agitação política, os governos enfrentavam constantes dificuldades na implementação das suas políticas. Foi o que aconteceu com o governo de Costa Cabral (1842-1846), que viu aumentar a contestação, sobretudo aquando da publicação da “Lei da Saúde” e da “Lei das Estradas”, originando um grande descontentamento “que acabou por irromper nas províncias em 1846, com a revolta da Maria da Fonte. Esta revolta traduziu-se em assaltos às casas dos grandes proprietários, libertação de presos das cadeias, destruição de arquivos contendo documentação........
