menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

“Urbi et Orbán”

22 0
14.04.2026

A história política recente da Europa tem sido fustigada pela ascensão de modelos que prometem a ordem através do autoritarismo e a proteção através do isolacionismo. O fenómeno a que assistimos na Hungria de Viktor Orbán não foi um acidente, mas sim o subproduto de democracias liberais que, em dado momento, deixaram de responder às mais básicas expectativas dos cidadãos. Grassou o ressentimento onde antes despontava o ativismo e o comprometimento políticos. Durante décadas, Órban transitou de um registo de direita conservadora, para um pendor iliberal contrário a qualquer tradição europeia contemporânea no espaço da UE. Foi um pária assumido e disso fez um ativo eleitoral, rejeitando as oscilações da titubeante democracia, com alterações legais e constitucionais que desafiaram a pertença magiar ao conjunto dos 27. Mais recentemente, com a guerra na Ucrânia, despoticamente afirmou-se pró-russo, tentando e, por vezes, conseguindo bloquear os avanços nas sanções a Putin e ao seu regime. Foi uma espécie de tio bêbado (de poder) da UE: todos sabem quem é, todos dele se envergonham, mas ninguém tem a coragem para o pôr fora da sala. Todos menos quem mais manda em democracia. O povo. Sim, o povo, o mesmo que o elegeu repetidamente como líder quase absoluto, desapossou-o do que nunca........

© Correio do Minho