“Maio: quando o peso das...”
No mês passado, refletimos sobre a liberdade como prática educativa concreta — sobre o direito de cada aluno a aprender com autonomia, a escolher, a arriscar, a falhar. Maio convida-nos a apro- fundar exatamente esta última dimensão: a do erro, do cansaço e do peso silencioso que muitos alunos carregam quando a excelência deixa de ser uma conquista e passa a ser uma obrigação. Maio é o mês em que a escola começa a acelerar. Falam-se de provas, exames, avaliações finais, metas, resultados, rankings, médias, percentagens. Multiplicam-se os testes, os trabalhos, os lembretes sobre o futuro, como se o futuro coubesse inteiro numa pauta ou numa classificação. E, no meio deste ruído todo, há crianças e jovens que carregam um peso silencioso, muitas vezes invisível até para os adultos que estão ao seu lado. “Professora, e se eu não conseguir?” “Mas tu consegues sempre”, respondem-lhe. Talvez esteja aqui um dos maiores problemas vividos por muitos alunos com altas capacidades: a dificuldade em lhes ser permitido falhar. Sabemos bem que estes alunos apresentam, com frequência, níveis elevados de perfeccionismo, ansiedade de desempenho e medo de errar, sobretudo quando o seu valor passa a estar demasiado associado ao sucesso académico e às expectativas dos outros. Há poucos dias alguém me dizia:........
