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“O limite da indignação”

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08.06.2026

As imagens da última semana voltaram a colocar em confronto duas palavras que, numa democracia madura, não deveriam ser adversárias: liberdade e autoridade. As manifestações contra o chamado pacote laboral mobilizaram milhares de pessoas. É legítimo. Aliás, é saudável. Uma democracia onde ninguém protesta é, normalmente, uma democracia onde ninguém acredita que vale a pena falar. O direito à manifestação constitui uma das mais nobres conquistas do regime democrático. Permite aos cidadãos discordar, contestar, pressionar os governantes e fazer ouvir a sua voz. Foi precisamente para isso que abril aconteceu. Mas abril também não aconteceu para substituir uma imposição por outra. Há uma tendência crescente para considerar que a legitimidade de uma causa funciona como salvo-conduto para qualquer comportamento. Como se a convicção pessoal transformasse automaticamente um cidadão em juiz das regras que decide cumprir e das que entende poder ignorar. Não transforma. Uma manifestação deixa de ser uma manifestação quando se converte em intimidação. Um protesto deixa........

© Correio do Minho