“A oposição ausente: o silêncio...”
Braga vive um momento de transformação acelerada. A cidade cresce estruturalmente, evolui a nível empresarial e ganha novas dinâmicas culturais e sociais. Mas há uma questão essencial que permanece cada vez mais evidente: onde está a oposição? Numa democracia saudável, o poder precisa de contraditório. Precisa de escrutínio, debate, confronto de ideias e alternativas sólidas. Quando um executivo governa sem uma oposição forte, organizada e presente, instala-se inevitavelmente um desequilíbrio democrático. E em Braga, esse vazio tem-se tornado particularmente evidente, sobretudo pela incapacidade do Partido Socialista em assumir o papel que naturalmente lhe caberia enquanto principal força de oposição. O problema não é apenas eleitoral. É político, estrutural e até identitário. O PS bracarense parece ter perdido presença, voz e capacidade mobilizadora. O partido que, durante décadas, foi capaz de representar amplos setores da sociedade civil, de mobilizar militantes e de construir pensamento político local, apresenta hoje sinais claros de desgaste interno e afastamento da realidade do território. Há um sentimento crescente, dentro e fora do partido, de que o PS deixou de estar próximo das pessoas. E talvez mais grave ainda: deixou de estar próximo dos seus próprios militantes e eleitos. Ao longo dos últimos anos, assistiu-se a um progressivo esvaziamento da participação interna. As estruturas perderam dinâmica, os plenários........
