Trump: demolidor e despertador
Cristovam Buarque — professor emérito da Universidade de Brasília (UnB)
Nenhum chefe de governo ameaçou a humanidade de forma tão catastrófica quanto Trump. Os presidentes de países com potencial nuclear representavam ameaça, mas não chegaram a promover hecatombe. Truman usou bombas nucleares assassinando centenas de milhares de civis, em duas cidades. Ao negar os riscos da catástrofe ecológica em marcha, incentivar a produção de petróleo, abandonar o Acordo de Paris e a participação na COP30, Trump pratica a demolição: mudanças climáticas, elevação no nível do mar, desaparecimento de cidades e países, desestruturação da agricultura, extinção em massa de vida e a depredação da civilização. Mas desperta a opinião pública para a realidade da crise mundial.
Quase todos os presidentes praticam em silêncio o que Trump esbraveja. O negacionista americano propaga a mensagem "perfurem, perfurem e extraiam o petróleo onde quiserem". Enquanto o governo do Brasil, que diz ser defensor do meio ambiente, perfura e produz petróleo por sua empresa Petrobras. Os gestos explícitos de Trump têm o valor de desnudar o comportamento de outros presidentes que o criticam, mas fazem o mesmo para atender aos interesses dos eleitores. Trump escancara o desafio de escolher entre as necessidades da humanidade para o futuro e os interesses do eleitorado no presente: a escolha entre decisões que elevarão o nível........
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