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Respostas que o país espera de Jorge Messias

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29.04.2026

A história recente do país registra sabatinas que começaram mornas e terminaram irrelevantes, incapazes de produzir constrangimento legítimo ou esclarecimento público. É nesse padrão de baixa exigência que se instala o risco institucional. O nome de Jorge Messias chega hoje ao Senado sob essa sombra. Não é um detalhe. Quando a régua é baixa, o resultado costuma ser previsível. E previsibilidade, nesse caso, não é virtude — é sinal de captura.

A Constituição Federal de 1988 desenhou um rito que deveria ser robusto: indicação presidencial, escrutínio técnico na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal e aprovação por maioria absoluta no plenário. Nada disso é simbólico. Cada etapa existe para tensionar o candidato, expor fragilidades e exigir compromissos públicos. No entanto, ao longo dos anos, esse desenho tem sido progressivamente esvaziado por práticas previsíveis, enquanto, nos bastidores, apoios são consolidados com antecedência. É justamente por isso que a sabatina de hoje precisa recuperar densidade — e isso só ocorre quando a reflexão antecede e justifica a pergunta.

Casos concretos demonstram que a ética institucional só ganha relevância quando submetida à pressão real do poder. O Brasil já testemunhou decisões juridicamente defensáveis, mas politicamente contaminadas por relações prévias ou expectativas externas. Esse cenário impõe uma transição inevitável do plano teórico para o prático. Diante desse contexto, a indagação que se impõe não pode ser evasiva: Jorge Messias, quando confrontado com processos que envolvam atores com os quais manteve relação direta na Advocacia-Geral da União, o senhor se declarará impedido sem hesitação? Recusará encontros reservados com partes interessadas durante o curso de julgamentos? Ou aceitará a naturalização de contatos informais travestidos de institucionalidade?

A percepção........

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