Peritos da ONU desmontam a versão oficial de Teerã
Foi em Genebra, no dia 29 de julho, que treze relatores especiais e peritos independentes das Nações Unidas assinaram um comunicado que rompe qualquer ambiguidade sobre o que acontece com a comunidade bahá’í no Irã: prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados, tortura e um padrão de repressão que se intensifica desde a revolução de 1979 e ganhou nova violência depois da recente guerra.
Entre os signatários estão Mai Sato, relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Irã, Nazila Ghanea, relatora especial sobre liberdade de religião ou crença, Alice Jill Edwards, relatora especial sobre tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, além de Gabriella Citroni e Matthew Gillett, respectivamente presidentes-relatores dos Grupos de Trabalho da ONU sobre Desaparecimentos Forçados e sobre Detenção Arbitrária. Segundo o comunicado, 57 bahá’ís permanecem detidos ou presos no país, alguns deles submetidos a execuções simuladas para arrancar confissões falsas — o caso de Peyvand e Borna Naimi, mantidos em prisão preventiva sob risco declarado à saúde física e mental.
Vesagh Sanaei, porta-voz da Comunidade Internacional Bahá’í em Sydney, descreveu esse mecanismo em entrevista ao canal Iran International, principal emissora internacional em língua persa: cada crise iraniana — social, econômica, política — produz o mesmo roteiro de culpabilização.
As autoridades escolhem um alvo disponível e o expõem à fúria pública por meio de difamação organizada; os bahá’ís ocupam esse papel desde 1979, e a hostilidade ganhou fôlego renovado nos últimos meses, alimentada por acusações infundadas e pela promoção deliberada do ódio religioso. Trata-se de política de Estado deliberada, sustentada por financiamento, aparato jurídico e cobertura constitucional que atravessa o texto legal do país.
A engrenagem jurídica
Cada medida do........
