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No esgoto do BRB-Master, puxa-se um fio e o sistema inteiro transborda

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17.04.2026

A engrenagem foi puxada — e não parou mais. Como nas caixas de lenços em que um único gesto arrasta vários de uma só vez, o caso que envolve o BRB e o empresário Daniel Vorcaro deixou de ser um episódio isolado para revelar uma cadeia de operações, cifras e decisões que já não suportam disfarce técnico nem a complacência que costuma proteger crimes sofisticados, onde a fraude circula com assinatura, senha e verniz institucional.

A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, determinada pelo ministro André Mendonça na manhã de 16 de abril de 2026, não nasce de suposições frágeis nem de narrativas infladas. Ao contrário, se ancora em indícios financeiros contundentes, em números que ferem a inteligência de qualquer observador minimamente atento: a investigação aponta para pagamentos ilícitos que variam entre R$ 140 milhões e R$ 146,5 milhões, com mais de R$ 74 milhões já identificados em circulação concreta. Não é cifra lateral. É dinheiro suficiente para desmontar qualquer tentativa de relativização moral.

Esse volume não se espalha por acaso nem se esconde em pequenos favores. 

O que a Polícia Federal descreve é um mecanismo frio, calculado, com pagamento de propina por meio de seis imóveis de alto padrão, usados como disfarce para dar aparência de legalidade a recursos cuja origem, segundo os investigadores, está contaminada por acordos subterrâneos. Longe de configurar erro técnico, trata-se de sofisticação........

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