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Entre fogueiras e sanfonas: por que junho ainda emociona o Brasil

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01.06.2026

Numa noite qualquer de junho, em alguma cidade do sertão, uma sanfona abre os foles — e um país antigo volta a respirar. Não é saudade vazia. É a memória cumprindo sua função mais nobre: lembrar quem a gente é.

Confesso que foi um vídeo bobo que me derrubou. Os bonecos rodopiavam no forró, as bandeirinhas conversavam com o vento e a música caminhava sem a menor pressa. Há algo profundamente humano — quase indecente, no bom sentido — numa canção que não tem hora para acabar.

O calendário marca 24 de junho como o dia de São João Batista, mas o Nordeste, que nunca foi de fazer as coisas pela metade, transformou a data em algo bem maior. Por semanas, da Bahia ao Maranhão, a vida desacelera em nome de uma herança de séculos. E, diga-se, em muita cidade o São João arrasta mais gente que o Carnaval — o que, para um nordestino, é quase uma declaração de princípios.

As origens são europeias: fogueiras, santos e rituais vieram na mala dos portugueses. Conta a tradição que tudo começou com uma chama — ao nascer João Batista, sua mãe, Isabel, acendeu uma fogueira para avisar Maria pela fumaça. O Nordeste levou o recado a sério e nunca mais parou de acender fogueiras. Mas cultura viva não é cópia: misturou índio, africano e sertanejo, jogou sotaque, ritmo e afeto, e devolveu uma festa que já não é da Europa nem só da Igreja. É do povo, e ponto.

Ninguém entendeu esse povo melhor do que Câmara Cascudo, que chegou a dedicar um livro inteiro, “Superstições no Brasil”, àquilo em que o sertanejo acredita sem pedir licença à razão. E........

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