Diógenes e o alto custo das convenções
No 2º dia de 2026, quando o segundo quarto do século XXI se impõe com sua aceleração permanente, métricas de desempenho e promessas de sucesso embaladas como necessidade, Diógenes de Sínope retorna como um incômodo útil. Não como personagem pitoresco da Antiguidade, mas como um teste ético. Diógenes nos obriga a perguntar, logo na largada do ano: quanto daquilo que chamamos de valor é escolha consciente — e quanto é apenas obediência bem-vestida?
Trazer Diógenes para o presente não é exercício arqueológico. É leitura do agora. Em 2026, cercados por discursos de eficiência, consumo e visibilidade, sua vida funciona como uma lâmina: corta excessos, separa necessidade de hábito e expõe a fragilidade de muitas certezas que tratamos como naturais. Ele não oferece conforto; oferece fricção. E talvez seja disso que mais precisamos neste início de ano.
Diógenes nasceu por volta de 412 a.C., em Sínope, colônia grega na Ásia Menor. Era filho de Isésio, um banqueiro responsável por operações monetárias e pela verificação da autenticidade das moedas em circulação. As fontes antigas relatam que pai e filho se envolveram num caso de adulteração monetária. Isésio foi preso. Diógenes, banido da cidade.
Esse exílio marca a ruptura decisiva. Privado de posição social e de proteção cívica, Diógenes inicia uma trajetória que não tenta recuperar prestígio, mas questionar a própria lógica que o define. Ele segue para Atenas e, depois, para Delfos, onde consulta o Oráculo. Sua pergunta é direta e pragmática: como recuperar a reputação diante da cidade?
A resposta vem em forma de sentença curta e ambígua, como........
