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A filosofia chinesa de uma ordem mundial multipolar igualitária e ordenada

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05.02.2026

A China acredita que o mundo atual passa por transformações profundas, inéditas em um século. No curto prazo, a ordem mundial formada após a Segunda Guerra Mundial enfrenta ajustes; no longo prazo, o modelo multipolar sob o sistema vestfaliano tornou-se insustentável.

Por que a China se opõe ao conceito de “G2”? Porque a China não tem o desejo de se tornar um novo Estados Unidos. O país já foi vítima da rivalidade hegemônica entre EUA e União Soviética. Já em 1974, Deng Xiaoping afirmou claramente, na Sessão Especial da Sexta Assembleia Geral da ONU: se a China se desenvolver no futuro e também buscar a hegemonia, o povo chinês e os povos do mundo se unirão para derrotar esse hegemonismo. O gene cultural chinês, como expresso no I Ching, é o de “um grupo de dragões sem líder”, e não a busca por “liderança” ou “dominação”. Além disso, na era da inteligência artificial, o modelo norte-americano de “o vencedor leva tudo” é insustentável e impopular; o verdadeiro modelo de código aberto representa a direção futura do desenvolvimento.

A China defende um mundo multipolar igualitário e ordenado e uma globalização econômica inclusiva. O núcleo dessa proposta é a adesão à igualdade entre todos os países, grandes ou pequenos, a oposição ao hegemonismo e à política de poder e a promoção efetiva da democratização das relações internacionais.

Para garantir que o processo de multipolarização seja, em geral, estável e construtivo, é necessário defender conjuntamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, respeitar coletivamente as normas básicas universalmente reconhecidas das relações internacionais e praticar o verdadeiro multilateralismo. Essa é precisamente a resposta chinesa às questões do nosso tempo.

Acadêmicos e autoridades ocidentais costumam perguntar: que tipo de multipolarização a China quer promover? A multipolarização é necessariamente algo positivo? Com base na experiência histórica do Ocidente, a multipolarização pode trazer instabilidade e até conflitos. A paz é vista como um intervalo entre guerras, e o equilíbrio multipolar como uma exceção ocasional e de curta duração. A proposta chinesa de construir um mundo multipolar igualitário e ordenado parte exatamente do diagnóstico de que a multipolarização dominada pelo Ocidente não é nem igualitária nem ordenada. A multipolarização histórica foi “desigual e desordenada” por três razões fundamentais.

Primeiro, o determinismo teísta e o eurocentrismo moldaram uma forma civilizatória autocentrada e arrogante nas relações internacionais ocidentais. Os chamados valores universais do Ocidente são, na essência, uma dedução moderna de valores do teísmo cristão. O determinismo deu origem a teorias como o “choque de civilizações” e o “fim da história”, que sustentam uma visão linear da evolução e defendem unilateralmente um suposto desfecho final da história. Essa perspectiva autocentrada faz com que a política internacional, no contexto ocidental, não seja verdadeiramente política mundial. Hoje, a governança global dominada pelo Ocidente........

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