Sobre Dom Hélder Câmara na Rádio Jornal do Recife
Li esta crônica na Rádio Jornal do Recife em 30/12/2025, a partir das 22h36, em programa apresentado pelo radialista e professor de filosofia Marcelo Araújo, a quem agradeço. Texto a seguir:
O grande poeta Manuel Bandeira, para mim o maior poeta do Brasil, escreveu nos primeiros versos do seu poema que tem o título de Os Nomes:
“Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste, mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
— Tantos gestos, palavras, silêncios —
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já nos soa como os outros”.
Que assim termina o poema:
“Os epitáfios também se apagam, bem sei.
Mais lentamente, porém, do que as reminiscências
Na carne, menos inviolável do que a pedra dos túmulos.”
Se assim acontece com a maioria de todos nós, que primeiro morremos na carne e depois no nome, num esquecimento que nos leva a perder até o significado de pessoas, assim não acontece com alguns que deixaram obra para a humanidade, uma obra sempre lembrada e associada ao nome. Assim foi, é também com Dom Hélder Câmara, cujo nome e permanência vai além da sua vida na terra, que nasceu em Fortaleza em 7 de fevereiro de 1909, e faleceu no Recife em 27 de agosto de 1999. Há 26 anos ele nos deixou na carne. Mas não na lembrança do seu nome.
Neste 30 de dezembro de 2025, quando se anuncia uma nova esperança, é tempo falar no Dom.
Hélder Pessoa Câmara sempre recebeu, no........
