O amor nestes dias de luta
Nestas horas de movimentos pela reeleição de Lula, tenho notado um fenômeno que antes jazia adormecido. Nestes dias, nas bravas tomadas de ruas e praças do Brasil, em ocupações legítimas de afirmação política contra a barbárie, a primeira coisa a notar é a voz da indignação. A raiva santa, que faz manifestantes apontarem o dedo médio contra cartazes em janela de prédio onde se lê “Fora Lula”. Tem sido assim. Nas caminhadas de massa, os dedos se levantam para a janela: “Aqui pra você!”. O dedo em riste é como uma prece, uma invocação das melhores forças de combate no front.
Ainda que os fascistas respondam com o terror, com a destruição pelo fogo de prédios universitários, pelas armas de fogo apontadas contra os democratas, e por prisões arbitrárias de jovens estudantes em passeata pacífica, ainda assim as pessoas não recuam. Isso quer dizer, se me permitem escrever mais claro: a indignação supera o medo do terror. Aliás, para a gente com mais força indignada, nem existe medo. Se soltarem uma bomba, os sobreviventes pularão para cima dos terroristas. Pois somos muitos, vastos e fortes. Como na canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil, imortalizada por Gal Costa:
Atenção Tudo é perigoso Tudo é divino maravilhoso Atenção para o refrão É preciso........
