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A memória da ditadura no romance “Decolagem proibida”

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12.06.2026

Com um texto em prosa, o autor faz uma nova versão de Morte e Vida Severina, pelo que lembra da trajetória do interior de Pernambuco ao centro urbano. Isto é, no caso de Paulo Carneiro, ele recria um caminho que vem da expulsão da Zona da Mata, passa pelo Recife e atinge São Paulo. Enquanto em João Cabral de Melo Neto, a poesia denunciava a miséria do homem nordestino, um retirante da seca, em Paulo Carneiro a prosa denuncia a trajetória da ditadura desde a cidade onde o seu retirante nasceu. E passa por cidades e profissões, até se tornar jornalista, muito bom jornalista. E bom escritor, se permitem a união entre a vida do autor e o livro.   

No romance aparecem muitos personagens, no entanto, mais que nomes, um é original, pleno: Mero, um ótimo personagem. Acredito que ele se nutre do próprio autor, se não abuso da imaginação.   

Com o personagem Mero entramos na recuperação do tempo de soldado na Aeronáutica em Pernambuco, que a maioria dos leitores fora dos quartéis desconhece. Aquilo que só víamos em romances norte-americanos, vemos agora no Recife:  

“No começo, tudo era descoberta, novidade e poder. Recebeu um saco de lona repleto de fardamentos: coturnos, botas e uma maratona — sapatilha de couro para corrida. Tudo com cheiro de novo. Precisava aprender a andar como um soldado. Deslumbrado - Estava ali para lutar por liberdade. Não sabia por onde começar...

A morte de Alfeu provocou tristeza e serviu de aviso aos que ousavam se opor à ditadura. Edvaldo dizia que o adesismo se tornara, aos poucos, um purgante necessário, produzindo uma onda de alcoolismo e suicídios nos quartéis. 

Casos de depressão se multiplicaram, visíveis na apatia que Mero observava com frequência nos soldados. Ficou perturbado com aquela narrativa cruel, embora verossímil. Quanto à embriaguez, parecia já institucionalizada”.

Na altura em que se torna jornalista em São Paulo, Mero nos brinda com uma reportagem na  revista Verbum (a revista Versus no Brasil da ditadura). É um episódio real da história do Brasil. São linhas bem escritas e narradas, e de tal maneira, que pensamos em um episódio autobiográfico. Mas o escritor Paulo Carneiro me........

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