Lula, o voto e os endividados
Faltando apenas seis meses para o primeiro turno da eleição, o governo prepara às pressas medidas para enfrentar um problema que subestimou ou não identificou em tempo: o sufoco das famílias endividadas, em grande parte responsável pelo mau humor político captado pelas pesquisas.
O ministro Dario Durigan está concluindo, com a equipe técnica da Fazenda, uma medida que seria mais eficiente que o Desenrola, mas, para incidir eleitoralmente, ela terá de ser capaz de produzir resultados de muito curto prazo. E isso vai requerer o mínimo de burocracia e a boa vontade dos bancos e financeiras.
A meta agora é favorecer a renegociação das dívidas mais caras, como cartão de crédito, cheque especial e crédito sem garantia, oferecendo abatimentos de até 80% e o refinanciamento do restante. A União seria a fiadora junto aos bancos privados, por meio de um fundo a ser criado com parte daquela dinheirama nunca procurada pelos donos, gerida pelo Banco Central, que soma mais de R$ 10 bilhões.
Terá o governo, entretanto, de tomar outras providências se não quiser apenas repetir o Desenrola, que acabou sendo um paliativo temporário. Será preciso reprimir a gula dos bancos e conter o impulso dos consumidores.
Há dois anos se fala, no governo e na mídia, de um “mal-estar difuso” que estaria bloqueando a percepção das pessoas, especialmente das mais pobres, acerca dos bons resultados econômicos e sociais produzidos pelo governo nos últimos 40 meses: geração surpreendente de empregos, aumentos reais da renda e do salário mínimo, inflação controlada, especialmente a de alimentos, e novos programas sociais, como o Pé-de-Meia e o Gás do Povo.
Embora estes resultados tragam benefícios diretos e indiretos, a maioria das pessoas diz aos pesquisadores que a vida não melhorou e que esperam dias piores. A aprovação do presidente, neste início de 2026, está em cerca de........
