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Diante da crise socioambiental incontrolável, reinventar cidades em uma chave social

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29.08.2026

Com essas premissas, seis organizações europeias da sociedade civil participaram de um projeto internacional para conceitualizar e projetar a transição para cidades resilientes às mudanças climáticas de forma sustentável. Para isso, dizem que é essencial não apenas buscar soluções técnicas, mas, fundamentalmente, apostar em uma mudança radical na forma como entendemos a economia, o bem-estar social e a participação democrática.

Após dois anos de estudo cooperativo, o Instituto Transnacional (TNI, em inglês) e o Commons Network (Rede Comum), em Amsterdã, Holanda; Oikos, em Ghent, Bélgica; FUHEM, de Madri, Espanha; NaZemi, de Brno, Tchequia; e o Instituto de Ecologia Política (Institut za političku ekologiju, IPE), de Zagreb, Croácia, acabam de publicar suas descobertas no Manual Cidades além do crescimento (Cities Beyond Growth Handbook), um guia pedagógico para repensar a vida em grandes centros urbanos sob uma perspectiva de “pós-crescimento”.

Resultante da consulta e do intercâmbio com 1.700 cidadãos em 100 países, essa perspectiva pressupõe a participação ativa de comunidades e de governos locais em um processo que, gradualmente, os transforme em agentes de transições inclusivas e democráticas e em direção a uma economia “pós-crescentista”.

O estudo é apoiado pelo programa educacional europeu Erasmus , e tem como ponto de partida e de chegada a hipótese de que “modelos econômicos voltados para o crescimento não são mais sustentáveis do ponto de vista ecológico, social ou político”. Tem como principal corolário que qualquer economia que aspire a proporcionar condições de vida dignas para as gerações presentes e futuras deve ir além do crescimento como lógica organizativa do desenvolvimento urbano e avançar para uma economia pós-crescimento baseada no bem-estar, na suficiência e na autodeterminação democrática. (https://www.tni.org/es/publicacion/cities-beyond-growth-manual).

As duas faces urbanas

É nas cidades que se concentram as maiores emissões de carbono e as mais graves desigualdades sociais, e é nelas que se geram o maior número de decisões políticas cruciais que impactam o destino de centenas de milhões de pessoas. As estatísticas confirmam isso: as 1.000 maiores cidades respondem por mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, gerando aproximadamente 70% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂), esse gás nocivo que retém calor na atmosfera e gera mudanças climáticas prejudiciais.

De acordo com um relatório recente da ONU-Habitat, a agência das Nações Unidas dedicada a........

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