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Da Palestina ao Irã e tantas outras regiões, a indústria bélica impõe um mundo de guerras

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28.03.2026

A conjuntura mundial dança ao ritmo da grande indústria de armamentos, que define suas próprias leis, impõe suas vendas e coopta a política exterior de muitos Estados. Atualmente, o planeta está sediando cerca de 60 conflitos bélicos. Desses, mais de uma dezena de particular explosividade e que, por outro lado, não poderiam existir se não estivessem por trás deles as multinacionais que produzem e distribuem equipamentos, armas, munições e tecnologia especializada. Do Irã ao Líbano, passando pelo Sudão, pela Ucrânia ou pela fronteira afegã-paquistanesa...

Mais armas a cada dia

No período de 2021 a 2025, o fluxo global de armamentos aumentou quase 10% em comparação com o período de cinco anos anterior. Esse aumento corresponde, fundamentalmente, às maiores transferências para a Europa, em particular para a Ucrânia. Dentro desse cenário, o Velho Mundo se consolida como um paraíso para a grande indústria de guerra ao triplicar suas importações. Essa tendência crescente, segundo analistas, é explicada pela percepção de uma maior ameaça russa, agravada pela maior incerteza sobre o compromisso dos Estados Unidos com a defesa de seus aliados europeus, os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Nesse mesmo período de cinco anos, as exportações totais dos Estados Unidos, que continuam sendo o maior fornecedor mundial de armamentos, aumentaram 27% em nível global e 217% para fortalecer o arsenal europeu, conforme documentado em março pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz (SIPRI), sediado em Estocolmo. A partir de 1950, o SIPRI tem sido a principal fonte de informações sobre o volume (não necessariamente o valor financeiro) das transferências internacionais de armas (incluindo vendas, "doações" e produção licenciada) entre Estados, organizações internacionais e grupos não estatais.

Como esse volume pode variar significativamente de ano para ano, o SIPRI publica números quinquenais, garantindo assim uma medida mais estável das tendências em jogo. Entre 2021 e 2025, os Estados Unidos foram responsáveis por 42% das transferências internacionais de armas (em 2016-2020 foram 36%). Exportou material de guerra para 99 estados: 35 na Europa, 18 na América Latina e Caribe, 17 na África, 17 na Ásia e Oceania e 12 no Oriente Médio. E, pela primeira vez em duas décadas, a maior parte das exportações dos EUA foi para a Europa (38%) e não para o Oriente Médio (33%). No entanto, seu principal destinatário foi a Arábia Saudita, com 12%. 

Segundo o SIPRI, os Estados Unidos consolidaram ainda mais seu domínio como fornecedor de armas em um mundo cada vez mais multipolar. Seu estudo, atualizado no final de 2025, alega que importadores de........

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