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Mordaça

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25.05.2026

Acabei de ler um livro com este título. Muito interessante, merece ser lido por quem gosta da música popular brasileira. O subtítulo revela seu conteúdo: “Histórias de música e censura em tempos autoritários”. Os autores, dois jovens: João Pimentel e Zé McGill. O segundo, nascido nos EUA, mas criado no Rio de Janeiro desde os três meses de idade, filho de uma norte-americana com um brasileiro que lá morou. O conheci criança, amigo do meu filho, também com 2 a 3 anos de idade.

Mas vamos ao livro, da Sonora Editora (2021), que me foi ofertado pelos pais, amigos. Depois de entrevistarem 29 compositores, os mais renomados do período, expõem as peripécias de cada um diante da censura e da repressão política da ditadura militar. Claro que tudo se agravou após o AI-5, em 13 de dezembro de 1968, quando então foi criado o Departamento de Censura de Diversões Públicas (DCDP), que se manteve até 1988, já no governo Sarney.

O primeiro entrevistado é o advogado João Carlos Muller, que foi da Philips e depois PolyGram, gravadora de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina, Nara Leão, Raul Seixas, Belchior. Gente da melhor estirpe e dos mais visados pela censura e repressão. As peripécias foram muitas. Alguns êxitos, mas a censura sempre vetando letras ou trechos delas.

Segue-se Chico, um dos mais visados pela censura. Acredita ele que o problema se agravou depois que liberaram “Apesar de Você”, ainda no tempo mais leve, e depois ficaram com aquela trava na garganta, até proibirem o samba, mas ele já estava amplamente divulgado. Então tudo que vinha de Chico era minuciosamente verificado e, na maioria das vezes, vetado. Preso em 1968, depois de solto, recebe um convite para Cannes, na França. Ele pede licença ao Exército e aproveita para se autoexilar em Roma, onde fica ano e meio, inclusive com o nascimento de sua primeira filha, com Marieta Severo, em março de 1969. Retorna em 1970. Ainda é tempo duro, sofre muito com a censura e a repressão. Talvez o melhor exemplo seja “Cálice”; sua letra levou muitos anos para ser liberada. A música saiu, sem letra, que ia circulando na surdina. Me lembro que no Presídio Político de São Paulo, onde me encontrava em 1977, a letra chegou com os sobreviventes do Massacre da Lapa (dezembro de 1976).

O livro aborda apenas compositores, embora haja referência a cantores e cantoras, como Nara Leão, Elis Regina, Bethânia, Gal Costa e vários outros. A exceção entre os grandes compositores da MPB é Milton Nascimento, talvez por suas condições de saúde, já impossibilitado de conceder entrevistas quando........

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