Neymar, Thiago Mendes e o aperto de mão que não deveria mesmo ser dado
Sou flamenguista, mas reconheço a linda história do Vasco da Gama. Um clube que foi símbolo de resistência contra a opressão racial sofrida por jogadores negros, que eram proibidos de jogar futebol profissionalmente apenas em função da cor da pele. Foi o Vasco, juntamente com a Ponte Preta e o Bangu, um dos primeiros clubes a romperem com o racismo no futebol brasileiro, incluindo jogadores negros em seus elencos. Jogadores negros como o volante Thiago Mendes, hoje capitão do time e protagonista de uma polêmica desnecessária que fala muito mais – pelo menos na minha opinião – sobre os seus críticos do que sobre sua postura ao não cumprimentar Neymar no jogo entre Vasco e Santos, em São Januário.
Thiago Mendes não apertou a mão de Neymar. E daí? O gesto pode ser considerado antipático, deselegante ou até infantil. Mas transformá-lo em uma espécie de crime contra a moral e os bons costumes do futebol revela algo muito mais preocupante: a ideia de que determinadas pessoas têm obrigação de se curvar diante de outras, seja por um ritual litúrgico ou simplesmente porque elas são mais importantes, mais ricas ou mais poderosas. E talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro problema.
O capitalismo nos ensinou a naturalizar a arrogância de quem tem dinheiro, status, fama ou poder. Há uma espécie de hierarquia social velada e não escrita na qual o famoso merece reverência e o anônimo deve agradecer pela oportunidade de estar diante dele. Na qual o poder econômico de alguém abre um excludente de ilicitude moral no tratamento com aqueles que........
