Lula venceu, mas foi a defesa da democracia que decidiu a eleição
O contraste entre os resultados do primeiro e do segundo turno ajuda a decifrar a verdadeira natureza da vitória de Lula para um inédito quarto mandato. A surpreendente virada não resultou de uma súbita conversão dos brasileiros ao lulismo, mas de uma mobilização eleitoral que ultrapassou fronteiras partidárias e ideológicas. Setores até então afastados das urnas decidiram sufragar o candidato que identificaram como o mais comprometido com a preservação dos direitos sociais e do Estado Democrático de Direito.
Esse contingente de eleitores, que trocou o não voto pelo apoio ao candidato do PT, moveu-se menos por identificação com Lula do que pelo receio das potenciais ameaças representadas por uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Eis o ponto fulcral para compreender o significado político da virada.
Não foi uma vitória do PT, tampouco da esquerda. Foi, sobretudo, uma manifestação de resistência a um projeto político percebido como ameaçador por parcela expressiva do eleitorado. O movimento que levou os brasileiros às urnas no segundo turno, reduzindo a abstenção de 21,08% para 19,22%, refletiu a convicção de que Lula representava a alternativa mais segura para preservar as conquistas sociais e........
