menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Lula, o fim da escala 6×1 não pode esperar por 2027: a decisão que deve ser tomada antes do segundo turno

21 0
10.10.2026

Milhões de brasileiros aguardam uma decisão sobre o direito de trabalhar menos dias sem ganhar menos. Com a chegada de um Congresso de perfil mais conservador em 2027, o tempo se tornou uma variável decisiva dessa disputa. Uma medida provisória editada ainda em outubro poderia colocar a mudança em vigor antes da deliberação definitiva do Legislativo, abrindo espaço para que trabalhadores, sindicatos, empresários e toda a sociedade discutam seus efeitos concretos. A iniciativa continuaria sendo responsabilidade do Executivo, mas a decisão sobre sua permanência passaria pelo Congresso, diante do escrutínio público.

O direito ao descanso e a nova correlação de forças

Na próxima quarta-feira, 14 de outubro, o Senado deverá votar, em primeiro turno, uma proposta que a Câmara aprovou por 461 votos a 19. Em discussão estão a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, dois dias de descanso e a preservação dos salários. Ainda será necessária uma segunda votação. Onze dias depois, o Brasil escolherá seu próximo presidente. Em fevereiro de 2027, tomará posse um Congresso com outra composição política, resultado de uma correlação de forças que já está definida pelas urnas.

Reduzir essa conjuntura a uma disputa eleitoral seria ignorar o problema central. A composição do próximo Congresso não mudará com o resultado da eleição presidencial, e as condições políticas para aprovar novos direitos trabalhistas serão diferentes. Adiar uma decisão agora significa transferi-la para esse novo cenário, com outros interesses, alianças e possibilidades de negociação. A questão fundamental é como assegurar que a reivindicação de milhões de trabalhadores chegue a 2027 com força política e capacidade real de mobilização social, independentemente de quem esteja na Presidência da República.

Em setembro de 2023, Rick Azevedo, então balconista de farmácia, denunciou nas redes sociais a rotina de trabalhar seis dias para descansar apenas um. O desabafo deu origem ao movimento Vida Além do Trabalho, que transformou uma experiência individual em mobilização nacional. A reivindicação já tinha antecedentes no Congresso. Reginaldo Lopes apresentara uma proposta de redução da jornada em 2019, Erika Hilton levou a pressão popular ao Parlamento em 2025 e, em abril de 2026, o governo Lula encaminhou seu próprio projeto. Eleito deputado federal em outubro, Rick chegará justamente ao Congresso que herdará essa disputa.

O que está em questão é a distribuição da riqueza produzida e do tempo necessário para viver.........

© Brasil 247