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A Copa do Silêncio

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20.06.2026

A Copa do Mundo de 2026 é apresentada como uma celebração global do esporte. Mas, fora dos gramados, multiplicam-se alertas sobre deportações, vigilância, restrições migratórias, discriminação e violações de direitos humanos. De trabalhadores que temem o ICE a delegações submetidas à geopolítica das fronteiras, este artigo investiga a realidade que permanece fora do enquadramento dominante e que o espetáculo da Copa ajuda a tornar invisível.

A Copa que eu estou vendo

Não sou especialista em futebol. Minha área de pesquisa está mais próxima da comunicação, da geopolítica, das plataformas digitais e das disputas contemporâneas pelo poder. Mas gosto de futebol desde criança. E, como milhões de pessoas ao redor do mundo, tenho acompanhado esta Copa do Mundo praticamente todos os dias.

Tenho gostado do que vejo.

A competição produziu bons jogos, grandes atuações individuais e algumas das histórias que fazem do futebol um fenômeno cultural único. Há algo de raro na capacidade que uma Copa possui de suspender temporariamente a rotina do planeta e concentrar atenções em um mesmo acontecimento. Durante algumas semanas, idiomas, bandeiras, crenças e rivalidades parecem ceder espaço a uma linguagem comum construída pela bola.

É essa imagem que chega diariamente às telas.

Estádios lotados. Torcidas misturadas. Cidades mobilizadas. Crianças vestindo camisas de seleções estrangeiras. Pessoas de países que muitas vezes se enfrentam diplomaticamente dividindo as mesmas arquibancadas. A narrativa dominante é a de uma celebração global do esporte, da convivência e do encontro entre povos.

Mas, nas últimas semanas, algo começou a me chamar atenção.

Enquanto acompanhava os jogos, passei a encontrar uma sequência de informações que raramente apareciam no centro da cobertura esportiva. Relatórios de organizações internacionais alertavam para riscos relacionados a deportações e violações de direitos humanos. Trabalhadores ligados à Copa negociavam proteção contra operações migratórias. Árbitros enfrentavam barreiras para entrar no país anfitrião. Delegações estrangeiras relatavam restrições que pouco tinham a ver com futebol. Autoridades ampliavam estruturas de vigilância e monitoramento em nome da segurança do torneio.

Separadamente, cada episódio poderia ser tratado como um detalhe administrativo. Um problema burocrático. Um incidente isolado.

Observados em conjunto, porém, eles pareciam apontar para algo diferente.

Foi essa discrepância que despertou meu interesse. De um lado, a Copa transmitida para bilhões de pessoas como uma grande festa global. De outro, uma realidade paralela que surgia em documentos, reportagens e relatos espalhados, quase sempre distante dos holofotes.

Não se........

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