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O desaparecimento do vizinho

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22.06.2026

Houve um tempo em que a vida em sociedade era construída por pequenos gestos.

O vizinho que ajudava a consertar um telhado, a senhora da rua que cuidava das crianças enquanto os pais trabalhavam, o amigo que aparecia sem avisar apenas para conversar, o colega de trabalho que dividia uma preocupação ou oferecia uma palavra de incentivo.

Isso acabou, ou está acabando.

Eram atitudes simples, quase invisíveis, mas que formavam aquilo que Hannah Arendt chamava de “mundo comum”: um espaço construído pela presença, pela palavra e pela ação de pessoas diferentes que reconhecem umas nas outras a condição humana. Como lembra a filósofa Françoise Collin ao interpretar Arendt, esse mundo comum não é apenas algo que existe naturalmente; ele depende da iniciativa de cada um. Ele é construído quando as pessoas se encontram, dialogam e reconhecem a existência do outro.

Talvez um dos maiores desafios do nosso tempo seja justamente a perda desse sentimento de pertencimento. Vivemos uma época em que a lógica do individualismo muitas vezes substituiu a cultura da solidariedade. O outro deixou de ser alguém próximo, alguém que........

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