Governança global em crise
Vivemos uma era paradoxal. Nunca estivemos tão interligados — economicamente, tecnologicamente, ambientalmente — e, ao mesmo tempo, tão expostos à fragmentação política. As crises contemporâneas não respeitam fronteiras: o clima se altera sem pedir visto, algoritmos atravessam oceanos em milissegundos, cadeias produtivas conectam continentes e conflitos regionais irradiam instabilidade global. No entanto, os mecanismos encarregados de administrar essa interdependência continuam ancorados em uma arquitetura concebida há oito décadas.
A chamada governança global — estruturada em instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) — nasceu no pós-Segunda Guerra Mundial, em um contexto geopolítico radicalmente distinto do atual. A ordem que emergiu de 1945 foi pensada para evitar novos conflitos globais e estabilizar economias devastadas. Funcionou, em grande medida. Mas o mundo mudou.
Hoje, o centro dinâmico da economia global deslocou-se. Países do Sul Global concentram população, recursos estratégicos e crescente protagonismo econômico. Ainda assim, permanecem sub-representados nas instâncias decisórias centrais. O Conselho de Segurança da ONU, símbolo máximo da........
