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Trump, Netanyahu e a metáfora da realeza

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13.04.2026

A metáfora da realeza, tal como elaborada por Northrop Frye em suas leituras da tradição bíblica, oferece uma chave interpretativa poderosa - e inquietante - para compreender certas formas de poder na modernidade. Para Frye, em a Bíblia e os mitos clássicos, o rei não é apenas um governante no sentido administrativo; grosso modo, ele é uma figura simbólica que concentra em si a identidade coletiva, funcionando como mediador entre o povo e a ordem do mundo. Trata-se menos de um indivíduo e mais de um arquétipo: alguém que encarna, representa e, em certa medida, substitui a totalidade da nação.

Importa, no entanto, um cuidado interpretativo: em Frye, essa metáfora pertence ao campo do mito e da estrutura narrativa, não sendo uma prescrição política. O problema emerge quando essa lógica simbólica transborda para o plano concreto da política e passa a operar como fundamento de legitimidade. Nesse deslocamento, o que era mediação simbólica pode se converter em fusão literal - e é aí que a metáfora adquire contornos sombrios.

É sob essa chave que a figura de Benjamin Netanyahu pode ser analisada. Ao longo de sua trajetória, sua retórica frequentemente tensiona os limites entre liderança política........

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