O alarme boliviano ressoa por toda a América Latina
Os violentos acontecimentos registrados em San Julián, na Bolívia, não deveriam ser lidos como mais uma linha no rosário de crises que assola o continente. Deveriam soar — e soam — como um alarme. O confronto entre policiais, militares e manifestantes que bloqueiam estradas há semanas não é apenas mais um capítulo da crônica boliviana: é a demonstração palpável de que o país vizinho se aproxima, com passos cada vez mais firmes, de um ponto de ruptura institucional e social de proporções imprevisíveis.
A Bolívia vive hoje uma combustão lenta e perigosa. Escassez de combustíveis, inflação corrosiva, desabastecimento de alimentos e medicamentos, bloqueios que paralisam o transporte, uma economia que range sob o peso dos conflitos — e, sobre tudo isso, uma polarização política que não cede nem respira. Em várias regiões, populações inteiras padecem os efeitos concretos de semanas de interrupção no abastecimento. A crise não é abstrata: ela bate à porta, entra pela despensa e se instala à mesa. Mas o que mais inquieta não é apenas a gravidade do quadro. É a gramática com que ele está sendo narrado.
O governo de Rodrigo Paz e seus aliados passaram a classificar os manifestantes como "terroristas" ou agentes de........
