Pequim, o G2 e o lugar do Brasil
Quando Richard Nixon pisou em Pequim, em 21 de fevereiro de 1972, a China era um querubim rebelde que não estava na órbita da União Soviética e era dirigida com mão de ferro por Mao Zedong. O país era essencialmente agrário e os Estados Unidos, a superpotência que moldou o século 20. Meio século depois, outro encontro reuniu os comandantes das duas maiores economias do mundo.
A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim, concluída na sexta-feira, 15, mantém as duas potências em campos de antagonismo, mas a América parece operar em posição defensiva. O encontro não tratou apenas de aliviar as tensões comerciais ou estabilizar os mercados. O que se viu foi algo profundo: uma demonstração de que o sistema internacional começa a operar sob outra lógica.
A China não se apresentou como desafiante. Apresentou-se como par. Essa é a mudança central. Durante décadas, a política internacional foi organizada a partir da primazia americana. Pequim cresceu dentro desse sistema, testou seus limites e, pouco a pouco, passou a disputar seus termos. Em Pequim, pela primeira vez de forma tão explícita, a mensagem foi outra: não se trata mais de alcançar os Estados Unidos, mas de negociar com eles de igual para igual.
A forma como a mídia global reagiu ajuda a entender o alcance dessa mudança. Nos Estados Unidos, o encontro foi lido com desconforto. A ênfase recaiu sobre o caráter transacional da visita, a busca por acordos comerciais e a dependência americana de resultados imediatos em meio a pressões internas e externas. A guerra no Golfo, o........
