A guerra como saída do capital financeirizado para suas crises estruturais
Unir povos e nações em desenvolvimento para derrotar Trump e a “pandemia da financeirização”, seu fascismo e suas guerras imperialistas
Quando o capital já não pode mais comprar o consentimento, tenta impor a submissão pela força. Mas a força, quando usada contra a vontade da maioria, apenas acelera o colapso.
Às vésperas de uma provável derrota eleitoral nas eleições legislativas estadunidenses, em novembro de 2026, Donald Trump ordena ataques militares dos EUA a diversas nações que atingem interesses de aliados e elevam o preço do petróleo. A escalada ocorre em meio a um provável e anunciado julgamento seu por traição nacional, por prejudicar a economia americana com políticas tarifárias e agressões a aliados, que agravaram a crise econômica, e por subordinar o interesse nacional americano ao envolvimento em guerras, sem autorização do Congresso nacional, para favorecer Netanyahu e o Estado de Israel, bem como por acelerado enriquecimento ilícito, e por crimes de pedofilia e abuso de menores.
A maioria do povo americano condena os ataques. A maioria do povo americano condena os ataques. Três em cada quatro cidadãos não apoiam as medidas de guerra, e a reação interna e externa à política de Trump cresce aceleradamente.
Um líder em situação política desesperadora (derrota iminente, julgamentos, rejeição popular) que lança ataques militares contra múltiplas nações expressa a forma clássica pela qual a guerra é utilizada como tentativa de resolver contradições internas.
A guerra não é uma anomalia ou um acidente histórico no capitalismo; ela é uma forma de resolução violenta das contradições quando os mecanismos econômicos normais (crises, desvalorização, tarifaços, falências, anexações) se mostram insuficientes para restaurar as condições de acumulação.
A indústria da guerra não é um setor paralelo ou uma anomalia no capitalismo contemporâneo, mas sim a outra face da mesma moeda da financeirização. Ela representa o momento em que o capital fictício, incapaz de se valorizar pela via produtiva (expansão das forças produtivas), transforma-se em máquina de destruição como forma de resolver suas contradições.
A indústria de guerra como solução para a superacumulação
A financeirização gera uma massa gigantesca de capital que não encontra aplicação produtiva lucrativa. Esse capital excedente busca valorização na esfera financeira (D-D’), mas tal valorização é, em última instância, parasitária: vive de sugar a mais-valia produzida alhures, sem expandir a base produtiva que a gera, estrangulando e desmontando a base produtiva real.
Chega-se a um impasse: o parasita cresce, mas o hospedeiro definha. A taxa de lucro cai, a estagnação se aprofunda, o capital fictício se acumula sem lastro.
A “indústria” de guerra oferece uma “solução” para este impasse por três vias:
1. Destruição de forças produtivas
A guerra destrói fábricas, infraestrutura e cidades inteiras. Essa destruição “libera” espaço para um novo ciclo de acumulação, eliminando o excesso de capacidade produtiva que tornava baixas as taxas de lucro.
2. Esterilização de capital morto
O capital investido em armamentos é, do ponto de vista da reprodução ampliada, capital esterilizado: não produz mercadorias para o consumo, não gera mais-valia nem amplia a capacidade produtiva da sociedade. Ainda assim, para o capital, cumpre uma função vital: realiza lucro para o complexo industrial-militar sem aumentar a superacumulação na esfera produtiva civil.
3. Recomposição da taxa de lucro no pós-guerra
A destruição cria a necessidade de reconstrução, que, por sua vez, gera um novo ciclo de investimentos produtivos (o “keynesianismo bélico”). Os que sobrevivem e vencem emergem com........
