“Como Washington vende a guerra com palavras”
Em 17 de janeiro de 2026, o China Daily publicou o artigo How Washington sells war to the world with words, assinado por Wang Yiwei, diretor do Instituto de Assuntos Internacionais da Universidade Renmin da China. O texto chama atenção não apenas pela contundência, mas sobretudo pelo método analítico: Wang descreve como os Estados Unidos constroem narrativas linguísticas para legitimar intervenções militares, estruturadas em três movimentos — disfarce, desvio e apagamento.
A partir de uma perspectiva chinesa, o autor desmonta a engrenagem discursiva do poder americano. Lido desde a América Latina — e sob o segundo mandato de Donald Trump — o artigo ganha ainda mais densidade. Não se trata apenas de um padrão recorrente da política externa dos Estados Unidos (EUA), mas de um modo de governar o sistema internacional em tempos de hegemonia em crise.
A linguagem como arma política - O ponto de partida de Wang Yiwei é simples e poderoso: a guerra começa pelas palavras. Antes de tropas, mísseis ou sanções, vem a operação semântica. Mudar o nome de uma ação é mudar seu julgamento moral e jurídico.
O que Washington faz não é “invasão”, mas “prisão”. Não é guerra, mas “operação”. Não há bombardeio, apenas “ataques de precisão”. Civis mortos tornam-se “danos colaterais”. Ao substituir a linguagem do direito internacional pela do policiamento doméstico, os Estados Unidos retiram o conflito do âmbito da soberania e da Carta das Nações Unidas (ONU) e o transferem para o campo da “ordem”.
No segundo mandato de Trump, essa lógica foi radicalizada. O mundo passa a ser tratado como extensão do espaço interno americano, onde Washington se arroga o direito de capturar, punir e reorganizar Estados soberanos como se fossem distritos........
