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Despertar a indignação contra a barbárie da direita

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15.08.2026

“É preciso fazer despertar a indignação do povo

 diante das atrocidades cometidas pela direita e, não, a vergonha.”

Pesquisas, sobretudo em anos eleitorais, sempre tentam traçar o perfil ideológico do povo brasileiro. Numa delas, realizada pelo Datafolha nos dias 17 e 18 de junho deste ano, em 139 municípios, 44% dos 2.004 eleitores ouvidos declararam-se de direita; 39% identificaram-se com a esquerda ou a centro-esquerda; e 17% disseram-se de centro.

Sem entrar no mérito de suas metodologias – se são rigorosas, direcionadas, viciadas ou sérias – o cruzamento de seus resultados com o discurso cotidiano dos eleitores revela certa confusão sobre os próprios conceitos de esquerda e direita.

Na autodefinição ideológica dos brasileiros cabe quase tudo. Há quem se declare de direita por considerar-se “gente direita”; ou “Gente de direita é quem faz as coisas direito”. Há também quem associe a esquerda ao que é errado, torto ou mau: “Tem que ensinar a criança a escrever com a mão certa”; “Canhoto tem parte com o demônio”; “Tem que começar com o pé direito!”

São concepções que guardam enorme distância — não apenas temporal — daquele setembro de 1789, na França quando, durante uma reunião da Assembleia Constituinte, os deputados se dividiram fisicamente no salão, de acordo com suas posições diante do poder do rei Luís XVI. Os defensores da monarquia e da ordem tradicional ocuparam os lugares à direita do presidente da mesa; os reformistas e radicais, que pretendiam limitar o poder real, sentaram-se à esquerda.

A partir daí, esquerda e direita passaram a designar posições políticas distintas. À esquerda associaram-se, historicamente, a busca da igualdade social, a justiça distributiva e a transformação das estruturas econômicas e sociais. À direita, a defesa da liberdade de mercado, da propriedade privada, da hierarquia social e da preservação de valores e instituições tradicionais.

Durante muito tempo, no Brasil, poucos se assumiam publicamente como sendo de direita. Hoje, a direita saiu do armário, assumiu-se.   

E, em meio a uma crise do capital, em que a financeirização, benfazeja aos especuladores gera massas de humilhados (sem emprego, sem comida, sem saúde e escolarização), há um   processo paralelo de revitalização, pela direita recém-assumida, do projeto de desmonte do Estado e de esvaziamento de suas funções sociais. 

Agora, extremada, essa direita grosseira, sem compostura, emerge de maneira agressiva, ostentando sua identidade política, enquanto mantém os pés sobre o pescoço do povo que sustenta suas ‘aleivosias’, palavra perfeita para designar esse modo de fazer política com atos de traição, perfídia e deslealdade, praticados sob falsas demonstrações de amizade, diz o dicionário.

Abaixo dos muito ricos, há uma espécie de força-tarefa, intermediária, encarregada de difundir e legitimar seus golpes: setores do sistema de Justiça e da imprensa corporativa, jornalistas e articulistas, certos pastores e padres, lobistas e outros agentes que, quando não ocupam diretamente os governos, trabalham para garantir a permanência dos interesses da elite no........

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