Salmões “dopados”: culpa da cocaína nas águas residuais
Salmões doidos, drogados, que sobem os rios para os ritos de reprodução, nadam no dobro da velocidade normal e acabam indo muito mais longe, às vezes até as cabeceiras dos rios e, por fim, morrem de exaustão sem cumprir a desova. Este é o tipo de notícia que desperta um forte desejo de gritar: parem o mundo, quero descer! Isso não é uma boa notícia. Esse desempenho fora do comum, segundo uma nova pesquisa publicada na revista Current Biology - e feita também por várias outras instituições entre as quais a Universidade Sueca de Ciências Agrícolas - é consequência da exposição à cocaína (e seus derivados), que chega às águas doces por meio dos esgotos urbanos. Isso indica uma alteração na percepção espacial dos animais, colocando potencialmente em risco sua sobrevivência.
Um experimento tecnológico - A equipe internacional de especialistas, liderada por pesquisadores da Griffith University, verificou que as estações de tratamento não conseguem remover completamente a cocaína e seus derivados -particularmente a benzoilecgonina - das águas residuais. A benzoilecgonina é o principal metabólito da cocaína - ou seja, é a substância em que a cocaína se transforma depois de ser processada pelo organismo.
Em termos simples, quando alguém consome cocaína, o corpo (principalmente o fígado) a........
