Oriente Médio: o laboratório da nova desordem mundial
Há um erro recorrente - e confortável - na forma como o mundo olha para o Oriente Médio: tratá-lo como uma terra condenada à repetição infinita da guerra. Um teatro trágico onde os mesmos atores encenam, geração após geração, o mesmo roteiro de sangue, fé e vingança.
Essa leitura já não dá conta da realidade.
O que está em curso na região não é apenas mais um ciclo de violência. É algo mais profundo, mais estrutural - e, por isso mesmo, mais inquietante: um rearranjo geopolítico em tempo real, ainda sem forma definitiva, mas já com consequências globais.
A guerra, nesse contexto, deixa de ser fim. Passa a ser instrumento.
Durante décadas, o Oriente Médio orbitou em torno de algumas certezas aparentemente sólidas: a centralidade do conflito israelense-palestino, a tutela estratégica e oportunista dos Estados Unidos, o papel ambíguo - ora submisso, ora oportunista - das monarquias árabes, e a contenção permanente do Irã como potência regional tornada incômoda por não aceitar cabrestos estrangeiros.
Esse edifício ruiu. E o que emerge em seu lugar ainda não tem nome.
Os Estados Unidos continuam presentes, mas já não são onipotentes. Trump e assemelhados não perceberam, antes de jogar suas........
