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Oriente Médio: o laboratório da nova desordem mundial

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21.03.2026

Há um erro recorrente - e confortável - na forma como o mundo olha para o Oriente Médio: tratá-lo como uma terra condenada à repetição infinita da guerra. Um teatro trágico onde os mesmos atores encenam, geração após geração, o mesmo roteiro de sangue, fé e vingança.

Essa leitura já não dá conta da realidade.

O que está em curso na região não é apenas mais um ciclo de violência. É algo mais profundo, mais estrutural - e, por isso mesmo, mais inquietante: um rearranjo geopolítico em tempo real, ainda sem forma definitiva, mas já com consequências globais.

A guerra, nesse contexto, deixa de ser fim. Passa a ser instrumento.

Durante décadas, o Oriente Médio orbitou em torno de algumas certezas aparentemente sólidas: a centralidade do conflito israelense-palestino, a tutela estratégica e oportunista dos Estados Unidos, o papel ambíguo - ora submisso, ora oportunista - das monarquias árabes, e a contenção permanente do Irã como potência regional tornada incômoda por não aceitar cabrestos estrangeiros.

Esse edifício ruiu. E o que emerge em seu lugar ainda não tem nome.

Os Estados Unidos continuam presentes, mas já não são onipotentes. Trump e assemelhados não perceberam, antes de jogar suas........

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