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El Niño está chegando. Mas a maior tempestade está nas narrativas

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06.06.2026

A cada novo anúncio sobre a chegada do El Niño, as manchetes reaparecem com a mesma intensidade de um ritual climático. Vêm as previsões de secas, enchentes, ondas de calor, perdas agrícolas e riscos energéticos. Em seguida, surgem os discursos de emergência, os alertas dramáticos e, inevitavelmente, as disputas políticas em torno do fenômeno. Mas uma pergunta raramente é feita: estamos diante de uma ameaça real ou de mais um episódio em que um fenômeno natural é transformado em instrumento de disputa econômica, política e ideológica?

Segundo os organismos meteorológicos internacionais e brasileiros, o novo El Niño já está em fase de formação e sua oficialização pode ocorrer já neste mês de junho de 2026, com alta probabilidade de consolidação entre julho e agosto. As projeções mais recentes indicam que o fenômeno pode persistir até o início de 2027.

Para o Brasil, os impactos mais relevantes tendem a aparecer entre a primavera e o verão de 2026/2027, quando o El Niño normalmente influencia de forma mais intensa os regimes de chuva e temperatura. No caso específico de São Paulo e do Sudeste, os efeitos costumam ser historicamente mais variáveis do que no Sul do país. O padrão mais comum é de temperaturas acima da média, enquanto os efeitos sobre as chuvas dependem da interação com outros sistemas atmosféricos.

Um aspecto........

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