O sacrifício de Fernando Haddad
1.
Fernando Haddad é um daqueles casos de descompasso entre os talentos do indivíduo e a conjuntura em que ele deve atuar.
Era um quadro petista que, nas circunstâncias anteriores a 2013, tinha tudo para chegar longe. Um político preparado, competente como administrador, com probidade inconteste. Com perfil conciliador, educado. Suficientemente liberal para não assustar o capital, mas com a preocupação social necessária para se credenciar como continuidade do lulismo. A esquerda gostaria de alguém mais à esquerda, é verdade, mas não tinha muitas opções.
“O mais tucano dos petistas”, dizia-se, de forma mordaz. Mas isso, àquela altura, não era um handicap. Era algo que o posicionava favoravelmente na política brasileira.
Saiu do Ministério da Educação para se eleger prefeito de São Paulo. Dali, era de se esperar que chegasse ao governo paulista e, certamente, à presidência.
Mas o cenário mudou. No final de seu mandato, medidas de óbvio caráter civilizatório, que em outras circunstâncias teriam encontrado oposição apenas marginal, como a implantação de corredores de ônibus e a redução da velocidade máxima em algumas vias da capital paulista, serviram para estigmatizá-lo.
Não é só o avanço de uma direita extremada. A burrice se tornou um asset (para usar uma palavra ao gosto de seus praticantes) importante na política brasileira, o que complica as coisas para alguém como Fernando Haddad.
Os........
