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Quem de fato defende a família brasileira?

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19.02.2026

Há algo de curioso no discurso de certos defensores da chamada “família tradicional brasileira”. São enfáticos e moralmente inflamados quando o assunto envolve costumes, comportamento e valores. Empunham a Bíblia com fervor e apresentam-se como os guardiões de uma ordem moral ameaçada. Falam da importância dos pais, da autoridade familiar, da criação dos filhos, da vida doméstica como núcleo sagrado da sociedade... Mas, curiosamente, quando se trata das condições concretas que tornam essa convivência possível, todo esse teatro desaparece. Emudecem, com notável discrição, quando o tema é a organização do trabalho que rouba da família justamente aquilo que ela tem de mais precioso e o que de fato a sustenta: o tempo livre.

A escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) é, na prática, o fim da família. Pais e mães saem cedo, voltam exaustos, vivem na contabilidade regressiva do único dia de folga. O domingo transforma-se em dia de resolver pendências domésticas, lavar roupas, fazer compras, organizar a semana seguinte. E assim o ciclo recomeça. Em que momento se cultiva a tal família que dizem........

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