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Dia do Trabalhador e a necessária reflexão sobre o conceito de alienação em Marx

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04.05.2026

O Primeiro de Maio, celebrado hoje, costuma ser lembrado como data de conquistas históricas da classe trabalhadora. Para mim, no entanto, ele também carrega uma memória incômoda. Meu pai morreu aos 58 anos de idade, no trabalho. Tinha orgulho de dizer que nunca tirava férias, que trabalhava em feriados, que não parava.

 Durante muito tempo, isso me pareceu sinônimo de dignidade. Foi apenas mais tarde, com o estudo e o contato com a crítica social, que essa percepção começou a mudar. Hoje, olhando para trás, não vejo nisso apenas dedicação, mas o peso de uma pressão silenciosa que transforma o excesso em virtude. Sinto muito não por ele ter sido trabalhador, mas por ter sido levado a acreditar que viver menos era prova de dignidade. Sua história não é exceção; é, infelizmente, regra em uma sociedade que ensina o trabalhador a medir seu valor pelo cansaço.

Esta minha mudança de olhar da realizada não foi espontânea. Ela passa, radicalmente, pelo contato que tive com o conceito de alienação, formulado por Marx. Ou seja, o processo pelo qual o trabalhador se torna estranho àquilo que produz, ao próprio ato de trabalhar e, em última instância, a si mesmo. O trabalho deixa de ser expressão da vida e passa a ser algo externo, imposto, uma condição para sobreviver. O resultado é uma inversão profunda. O que deveria servir ao ser humano passa a dominá-lo. Compreender isso altera não apenas a análise do trabalho, mas a própria forma de enxergar........

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