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A guerra híbrida contra o Brasil: o cerco geopolítico e as eleições de 2026

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12.03.2026

Quando começaram a emergir novas revelações sobre a relação entre Donald Trump e Jeffrey Epstein, o governo estadunidense deslocou o centro da agenda internacional para a escalada militar contra o Irã. A coincidência temporal entre escândalo doméstico e ofensiva externa não pode ser lida apenas como acaso. Na história das grandes potências, crises internacionais frequentemente cumprem também a função de reorganizar o debate público interno, reposicionar lideranças em dificuldade e reconstruir legitimidade pela via da guerra. Quando esse movimento é observado em conjunto com a política dos EUA para a América Latina, o quadro ganha contornos ainda mais inquietantes.

A agressão ao Irã não diz respeito apenas ao Oriente Médio. Ela repercute diretamente sobre a economia global, pressiona preços de energia, afeta cadeias logísticas, encarece insumos e pode produzir impactos sensíveis sobre países periféricos ou semiperiféricos, entre eles o Brasil. Num contexto em que a estabilidade econômica é variável central de qualquer disputa eleitoral, uma guerra envolvendo EUA, Israel e Irã pode ter efeitos concretos sobre inflação, combustíveis, câmbio, custo de alimentos e percepção social de bem-estar. Em outras palavras: um conflito internacional dessa magnitude também pode interferir nas condições políticas da reeleição de Lula.

Entretanto, a dimensão decisiva dessa guerra é geopolítica. O ataque ao Irã não deve ser visto como um episódio isolado, nem como mera continuação do seu antagonismo histórico com os EUA. O Irã ocupa posição estratégica para a China, pela energia e pelas rotas logísticas vinculadas à integração eurasiática; é relevante para a Rússia, inclusive por sua cooperação no setor nuclear e por sua posição nas rotas que articulam o corredor Norte-Sul; e, sendo membro do BRICS, tornou-se parte de um arranjo mais amplo de contestação da ordem unipolar. Nessa perspectiva, a agressão ao Irã pode ser lida como um ataque indireto à Rússia, à China e ao conjunto dos BRICS. O alvo imediato é um Estado; o alvo estratégico é a multipolaridade em construção.

Se essa leitura estiver correta, o Brasil aparece como peça de valor especial. O país é membro fundador dos BRICS, possui peso territorial, energético, mineral, alimentar e diplomático, e segue sendo uma das poucas nações capazes de articular margem autônoma entre diferentes polos de poder. Exatamente por isso, tornou-se alvo prioritário de uma nova arquitetura de pressão. Essa arquitetura foi explicitada sem pudor na National Security Strategy de 2025, quando os EUA reafirmaram o hemisfério ocidental como espaço de contenção de rivais, proteção de ativos estratégicos, defesa de cadeias críticas de suprimento e combate a “narcoterroristas”, concluindo com a disposição de afirmar e impor um “Corolário Trump” à Doutrina Monroe. A mensagem é brutalmente clara: a América Latina volta a ser tratada como zona de tutela estratégica dos EUA, sendo que qualquer mudança na arquitetura de poder hemisférica afeta diretamente a soberania brasileira. E é aqui que os acontecimentos recentes deixam de parecer desconexos.

A possível classificação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras pelo........

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