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A dor da gente não vende jornais

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30.01.2026

Enquanto um raio que caiu sobre manifestantes rende milhares de manchetes e teorias da conspiração – mesmo em uma região onde raios caem aos montes –, um dado muito mais grave atravessou o noticiário quase em silêncio. Longe do espetáculo que alimenta algoritmos e caça curtidas, o Brasil enfrenta uma crise concreta em que o trabalho adoece, em massa, aqueles e aquelas que sustentam a economia.

Mais de 4,12 milhões de trabalhadoras e trabalhadores precisaram se afastar temporariamente de suas funções em 2025 por motivos de saúde, segundo o Ministério da Previdência Social. É o maior número desde 2021 e 15% superior ao de 2024. Não é um desvio estatístico. É a conta chegando. É o preço humano de um modelo econômico que exige produtividade máxima e oferece proteção mínima.

Pelo terceiro ano consecutivo, as dores nas costas lideram o ranking de afastamentos. Mais de 237 mil pessoas foram retiradas do trabalho por dorsalgia. Em seguida vêm as hérnias de disco e as fraturas de perna e tornozelo. Não é coincidência, é o corpo – que não é máquina - gritando contra jornadas........

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